Lili era uma miúda tímida e sonhadora que gostava de percorrer os campos cobertos de flores, ouvir os chilreios dos pássaros, na Primavera, de vigiar as estrelas e desvendar as suas histórias, nas noites cálidas de Verão. Havia uma estrela muito especial, mais brilhante que todas as outras, que piscava para ela como se guardasse um segredo. Todas as noites, deitada na relva, contava-lhe as suas aventuras e os seus desejos mais profundos: ser corajosa, conhecer outros mundos e, quem sabe, encontrar a magia que só existia nos livros antigos do avô Ernesto. Numa dessas noites, enquanto o céu se cobria de constelações, uma brisa morna soprou e uma luz suave desceu do firmamento. Era um fio prateado, quase invisível, que descia até tocar em Lili. Nesse instante, tudo à sua volta silenciou: os grilos calaram-se, o vento parou e até o tempo pareceu ficar sem respiração. Uma voz suave, como o som das folhas ao serem agitadas pela brisa, murmurou-lhe ao ouvido: — Lili, está na hor...
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Regressos
Protótipo de cozinha tradicional, Malta 2020 Sempre que visito a terra que me recebeu depois de ser desenraizada, fica um incómodo, uma incompletude, um não ser, mas também uma ternura singular de um regresso às origens. O Castedo representa ainda, na minha vida, aquilo que de melhor ou de pior me construiu como pessoa. Se, por um lado, o rigor das estações e o caráter agreste das tarefas e das gentes me incutiram a inflexibilidade perante a adversidade, por outro, o afeto peculiar por algumas figuras eminentes da freguesia (que já partiram ou que o tempo vai degradando) e pela Malta da minha geração (que raramente regressa, por circunstâncias variadas ou por (des)encontros imprevistos) continua a propiciar um certo estado edênico de felicidade, sem regresso. Cheguei ao Castedo no dia 26 de julho de 1975, na companhia da minha mãe e do meu irmão. Tínhamos aterrado em Lisboa na noite anterior, depois de uma semana a dormir no aeroporto de Luanda, porque ...
À Maria do Céu Tostão
À Maria do Céu Tostão, minha amiga de eleição! De Alfena a Águas Santas Contam-se décadas de viagens, partilhadas entre ambas!!! Viagens de emoções... De um novelo bem enrolado, num casulo de paixões! Viagens em espaços perdidos, De vidas atribuladas de mão dada com os perigos! Viagens pela sabedoria, Herdeira da grega Clio, musa da historiografia! Viagens de tempos de glória Festivos e celebrados com cervejas de vitória! Viagens em botes atracados Inquietos em consumar os teus sonhos adiados!! Parabéns, por mais esta nova viagem da rota solar! Ermesinde, 16 de agosto de 2021

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